Passados pouco mais de cem anos de A Terra Desolada, de T.S. Eliot, a pergunta permanece: que solo é este que recebemos como herança? É impossível desprezar o diagnóstico do poeta. Basta um olhar para o lado, e para dentro de si, para que logo percebamos os sintomas dos ruídos e dos escombros, e sejamos tomados pelo ambiente de desolação.
No entanto, a sabedoria dos antigos também nos ensina que nem todo solo é fértil, e que as últimas grandes propostas de totalidade não nos deixaram muito mais do que morte e destruição.
O Leitura Essencial é a nossa pequena lavoura. Um espaço onde jogamos as sementes do passado e aguardamos a colheita, na esperança de uma nova plantação. A chuva virá, e esperamos que seja mansa, pois tempestades em solo seco nunca foram a salvação.
Nossa Colheita Inicial
Para esta primeira safra, escolhemos três sementes que, em sua essência, dialogam com este nosso tempo:
- O Simbolismo do Sino: Contra o ruído do mundo, o som que vem do alto e nos congrega.
- A Obra de Diego Velázquez: Onde uma tradição abarca outra, e o sagrado dialoga com sátiros e centauros em uma magistral narrativa contínua.
- O Escudo de Aquiles: Uma imagem do Cosmos que nos recorda que na totalidade da vida – da guerra e da paz, da beleza e da dor – nada escapa do círculo que tudo abarca e compõe a própria ordem das coisas.
Se algo disso lhe fizer sentido, um solo um pouco mais fértil estará pronto para a próxima semeadura.
Boa leitura a todos.

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